O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a suspensão, por 90 dias, da aplicação de multas contra empresas que não cumprirem as novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata da gestão de segurança e saúde no trabalho. A decisão adia temporariamente a cobrança de uma das principais mudanças da norma: a obrigatoriedade de identificar e gerenciar riscos relacionados à saúde mental dos trabalhadores, como estresse, sobrecarga emocional e outros fatores psicossociais.
A medida atende a um pedido da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), que argumentou haver insegurança jurídica e dúvidas sobre a forma de aplicação das novas exigências. Embora a ação tenha sido proposta pela entidade representativa do setor educacional, a decisão do ministro possui alcance nacional e beneficia empresas de todos os segmentos.
Antes da manifestação do STF, o próprio Ministério do Trabalho e Emprego já havia estabelecido um período de adaptação sem aplicação de penalidades. Também existia uma decisão judicial em São Paulo suspendendo as multas para empresas do setor industrial. Com a decisão de André Mendonça, o entendimento passa a ser unificado em todo o país.
Apesar da suspensão das penalidades, a NR-1 continua em vigor desde maio. A decisão não revoga a norma nem desobriga as empresas de adotarem as medidas previstas. O que fica suspensa é apenas a aplicação de multas durante o período de 90 dias, permitindo que empregadores tenham mais tempo para adequar seus processos.
A atualização da norma incorporou oficialmente a saúde mental entre os riscos ocupacionais que devem ser avaliados pelas empresas. Com isso, empregadores precisam identificar situações capazes de provocar adoecimento psicológico nos trabalhadores, como excesso de pressão, jornadas prolongadas, metas abusivas, assédio e ambientes organizacionais considerados desgastantes.
O tema ganhou maior relevância nos últimos anos em razão do crescimento dos afastamentos por transtornos mentais, especialmente casos de ansiedade, depressão e síndrome de burnout. O aumento das licenças médicas por essas condições também tem gerado impacto na Previdência Social e ampliado o debate sobre a responsabilidade das empresas na prevenção de riscos psicossociais.
Além de suspender temporariamente as penalidades, André Mendonça determinou a abertura de uma tentativa de conciliação no STF. A proposta é reunir representantes do governo federal, do setor empresarial e dos trabalhadores para discutir possíveis ajustes na regulamentação e buscar consenso sobre a implementação das novas exigências.
Na prática, a decisão representa uma pausa na fiscalização punitiva, mas não um recuo na política de proteção à saúde mental no ambiente de trabalho. As empresas ganham um prazo adicional para adaptação, porém continuam obrigadas a se preparar para cumprir integralmente as exigências quando a aplicação das multas voltar a vigorar.
Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook e Instagram
Leia mais
PGR afirma que arma de Bolsonaro não indica falta disciplinar do ex-presidente