O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado, foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF (Polícia Federal) nesta quinta-feira (18), durante a nona fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas à instituição.
Ao todo, a operação cumpre 18 mandados expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal) nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Além do senador, também são alvos o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, o enteado de Wagner, Eduardo Sodré Martins, e o pai dele, Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga.
Segundo a Polícia Federal, os fatos investigados podem configurar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Também foram determinadas medidas cautelares, como proibição de contato entre investigados, suspensão de passaportes e monitoramento eletrônico. As suspeitas envolvendo Jaques Wagner estariam relacionadas a um imóvel avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões.
Augusto Ferreira Lima ganhou destaque no mercado financeiro após adquirir a rede de supermercados Cesta do Povo, braço da antiga Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), privatizada em 2018 pelo governo da Bahia. Na época, Wagner ocupava o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado e participou do processo de desestatização. O senador já reconheceu publicamente que conheceu o empresário durante esse período e que ambos se tornaram amigos.
Figura histórica do PT (Partido dos Trabalhadores), Jaques Wagner iniciou sua trajetória política no movimento sindical da Bahia, onde ajudou a fundar o PT e a CUT (Central Única dos Trabalhadores) no estado. Foi deputado federal por três mandatos, ministro dos governos petistas, governador da Bahia por dois mandatos e, desde 2019, exerce o cargo de senador. Desde o início do terceiro mandato de Lula, em 2023, atua como líder do governo no Senado Federal.
Em nota oficial, o PT manifestou apoio ao parlamentar. O presidente nacional da legenda, Edinho Silva, afirmou que Jaques Wagner é “depositário de toda a nossa confiança” e declarou que o partido apoia as investigações envolvendo o Banco Master. A sigla também disse confiar que o senador esclarecerá os fatos apurados e comprovará sua inocência ao longo das investigações.
Até o momento, não houve denúncia ou condenação contra os investigados no âmbito da operação. As apurações seguem sob responsabilidade da Polícia Federal e com supervisão do Supremo Tribunal Federal.
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