Entre os temas que ainda aguardam definição está a segunda vaga ao Senado na aliança liderada pelo governador Eduardo Riedel
Faltando menos de um mês para o início das convenções partidárias, previstas para começar em 20 de julho, os principais grupos políticos de Mato Grosso do Sul ainda têm decisões estratégicas pendentes para definir o cenário das eleições de 2026. Embora diversas pré-candidaturas já estejam colocadas, a composição final das chapas majoritárias e proporcionais dependerá das negociações que seguem em andamento nos bastidores.

Entre os temas que ainda aguardam definição está a segunda vaga ao Senado na aliança liderada pelo governador Eduardo Riedel (PP) e pelo ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) que afirmou ter acertado com o ex-presidente Jair Bolsonaro que uma das vagas ao Senado seria sua e a outra seria definida por pesquisas. Para isso, foram contratados levantamentos de institutos diferentes, incluindo Paraná Pesquisas e Quaest.
O resultado da definição era esperado para o início deste mês. Posteriormente, Azambuja informou que o prazo seria prorrogado por mais 15 dias. O novo período também se encerrou sem anúncio oficial, ampliando as especulações sobre o desfecho.
Nos bastidores, o deputado federal Marcos Pollon (PL) segue sustentando sua pré-candidatura amparado em uma carta divulgada anteriormente por Jair Bolsonaro, na qual o ex-presidente o apontava como seu nome preferido para a disputa. Já o ex-deputado estadual Capitão Contar aparece como um dos nomes mais competitivos nas pesquisas realizadas pelo partido.
Apesar disso, integrantes da legenda admitem reservadamente que diversos fatores políticos ainda podem influenciar a escolha final, o que mantém o cenário indefinido até a realização das convenções.
Republicanos terá decisões sobre chapa majoritária e Câmara
Outro partido que chega às convenções com temas em aberto é o Republicanos. Uma das principais definições envolve a reeleição de Riedel, especialmente a permanência do vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha.
Durante entrevista concedida em 20 de maio, na inauguração do estacionamento da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), Barbosinha evitou tratar sua permanência na composição eleitoral como algo definido e ressaltou que a decisão dependerá das convenções partidárias. “Em política isso não existe garantia. Quem garante é a convenção”, declarou.
A fala ocorreu em meio às articulações para a composição da aliança governista, que também discute espaços para os partidos que integram a base de sustentação de Eduardo Riedel.
A legenda também deverá consolidar sua estratégia para a disputa proporcional. Entre os nomes já colocados para a Câmara dos Deputados está o ex-secretário estadual Jaime Verruck, que deixou o comando da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) para disputar uma vaga federal.
Além dele, o deputado federal Beto Pereira, presidente estadual do Republicanos, já manifestou a intenção de buscar a reeleição, o que deve fazer da formação da chapa federal uma das principais discussões internas do partido.
PSDB tenta transformar crise em demonstração de força
Após semanas de especulações sobre possíveis desistências e dificuldades para montar sua chapa federal, o PSDB tenta chegar às convenções com um discurso de fortalecimento.
A legenda precisou reorganizar a nominata após baixas de alguns pré-candidatos, situação que gerou dúvidas sobre sua competitividade. Nos bastidores, dirigentes chegaram a relatar movimentações de partidos aliados tentando atrair nomes tucanos para outras composições, episódio classificado pelo presidente estadual da sigla, deputado Pedro Caravina, como “fogo-amigo”.
A reação veio com uma reunião que reuniu pré-candidatos, dirigentes, o governador Eduardo Riedel e o ex-governador Reinaldo Azambuja. O encontro serviu para reafirmar que o partido manterá candidaturas próprias para deputado federal e estadual.
A avaliação interna é que o episódio acabou produzindo efeito contrário ao esperado pelos adversários, fortalecendo a unidade partidária às vésperas das convenções.
PT vive novas especulações sobre composição ao Senado
Na federação formada por PT, PCdoB e PV, as atenções estão voltadas para a pré-candidatura do deputado federal Vander Loubet ao Senado. A composição da chapa, porém, passou a ser alvo de especulações após o empresário e produtor rural Maurício Bumlai recuar do convite para ser o primeiro suplente do parlamentar.
A desistência ocorreu em meio ao desgaste gerado por divergências internas envolvendo lideranças do PT e manifestações públicas do deputado estadual Zeca do PT e da deputada federal Camila Jara (PT) sobre a ex-secretária estadual de Cidadania Viviane Luiza (PSDB), pré-candidata a deputada federal pelo partido tucano e companheira de Bumlai.
As críticas de Zeca e Camila Jara à aproximação de Viviane com integrantes do governo Eduardo Riedel (PP), além de manifestações relacionadas à atuação de lideranças indígenas no Estado, ampliaram o desconforto entre grupos que fazem parte do campo político de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O episódio abriu espaço para novas articulações dentro da federação e entre partidos aliados. Entre as possibilidades comentadas nos bastidores está o ex-prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PV) como possível nome para a suplência. A hipótese, porém, ainda depende de acordo entre as siglas e não possui confirmação oficial.
Procurada pela reportagem para comentar as especulações sobre a composição da chapa ao Senado, a saída de Bumlai e os atritos internos envolvendo integrantes do partido, a assessoria do deputado federal Vander Loubet encaminhou nota. “Recebo com tranquilidade a decisão de Maurício Bumlai de não permanecer na condição de suplente da minha pré-candidatura ao Senado. O convite feito a Maurício foi uma iniciativa pessoal minha, construída com respeito, diálogo e reconhecimento à sua trajetória política”, afirmou.
O presidente estadual do PT ainda reforçou que a prioridade é construir uma unidade do grupo ligado ao presidente Lula para a eleição de 2026 e afirmou que seguirá concentrado na articulação política e no trabalho pelo Estado.
Calendário eleitoral acelera definições
O avanço do calendário eleitoral aumenta a pressão sobre os partidos para concluir as negociações. A partir de 30 de junho, emissoras de rádio e televisão ficam proibidas de transmitir programas apresentados ou comentados por pré-candidatos.
Já em 4 de julho passam a valer diversas restrições impostas aos agentes públicos, como limitações para nomeações, exonerações e participação em inaugurações de obras públicas.
O período mais aguardado, porém, começa em 20 de julho. Entre essa data e 5 de agosto, partidos e federações deverão realizar suas convenções para oficializar candidaturas e coligações. Após as convenções, os pedidos de registro das candidaturas deverão ser protocolados na Justiça Eleitoral até 15 de agosto, encerrando a fase de especulações e abrindo oficialmente a corrida eleitoral em Mato Grosso do Sul.
Por Danielly Carvalho