Veterinária presa por queimar marido diz que queria obter confissão sobre suposta traição

Foto: Imagem ilustrativa
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A médica veterinária, de 42 anos, presa por tentativa de homicídio após o marido sofrer queimaduras graves durante uma discussão, afirmou à Polícia Civil que sua intenção era pressionar o companheiro a admitir uma suposta traição. Em depoimento prestado horas após a prisão, ela declarou que acreditava estar diante da única forma de fazê-lo contar a verdade. “Eu queria que ele me dissesse a verdade”, afirmou durante o interrogatório.

Segundo a investigada, a discussão teve início ainda na madrugada de segunda-feira (22) e estava relacionada à suspeita de que o marido, de 41 anos e ex-diretor de uma instituição de ensino, mantivesse um relacionamento extraconjugal em Brasília, onde trabalha desde 2024. O casal, que está junto há cerca de 26 anos e tem dois filhos, teria passado a noite discutindo. Pela manhã, quando o homem organizava os pertences para retornar à Capital Federal, a conversa voltou a gerar conflito.

Em seu relato, a médica veterinária disse que pegou um recipiente com álcool na cozinha e retornou ao quarto com a intenção de incendiar a mochila do marido. “Era a mochila com os pertences dele que eu queria queimar”, declarou. Ela afirmou acreditar que parte do líquido acabou atingindo a camiseta que ele vestia. Posteriormente, o homem teria saído para a garagem e ela o seguiu carregando um maço de cigarros e um isqueiro.

“Eu quis assustar ele com o barulho do isqueiro”, relatou. Segundo a veterinária, após acionar o objeto, percebeu que a camiseta começou a mudar de cor e, em seguida, surgiram as chamas. “Foi quando eu tentei rasgar a camiseta dele para tirar”, acrescentou.

A versão apresentada pela suspeita contrasta com o relato da filha do casal, de 22 anos. A jovem informou aos investigadores que acordou com a discussão e ouviu o pai correndo pelo quintal enquanto gritava repetidamente: “não, não, não, para, para, para”. Ao sair do quarto, encontrou o homem em chamas e correu para buscar uma mangueira. Ela também contou que os conflitos entre os pais se intensificaram nos últimos dois anos, após a mudança do pai para Brasília, situação que teria agravado crises de ciúmes e desconfiança da mãe.

Após o incêndio, a própria médica socorreu o companheiro, levando-o de carro ao Hospital Cassems. Em seguida, ele foi transferido para o Proncor. Conforme apurado, uma avaliação médica posterior apontou queimaduras em aproximadamente 30% da superfície corporal, principalmente no tronco e nos membros superiores. O percentual é inferior à estimativa inicial de 80% registrada no primeiro atendimento. Apesar da revisão, o paciente permanece internado em estado grave e entubado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Durante o interrogatório, a veterinária negou ter tido intenção de matar o marido e afirmou estar arrependida. “Eu não queria ter feito isso. Não era minha intenção machucar ele”, disse. Em outro trecho do depoimento, justificou a atitude afirmando que buscava uma confissão. “Eu achei que era o único jeito dele falar a verdade. Que se eu ameaçasse, talvez ele fosse ficar com medo e abrir o jogo”, declarou.

A investigação também revelou que a médica veterinária realiza tratamento psiquiátrico há vários anos. Conforme informado pela filha, ela possui diagnóstico de depressão, transtorno de ansiedade generalizada e síndrome do pânico. A suspeita confirmou o acompanhamento médico e relatou que estava sem utilizar a medicação prescrita havia entre 15 e 20 dias.

Apesar da versão apresentada pela investigada, a Polícia Civil entendeu que os elementos reunidos até o momento caracterizam tentativa de homicídio qualificado pelo emprego de fogo. A prisão em flagrante foi mantida e a autoridade policial solicitou a conversão da medida em prisão preventiva. O caso segue sob investigação.

 

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