Condenado por tráfico é encontrado morto na Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande

Foto: Reprodução
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Um detento condenado a mais de 44 anos de prisão por tráfico de drogas foi encontrado morto na tarde de quarta-feira (24) na Penitenciária de Segurança Máxima Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande. A vítima, Everton Lopes, conhecido pelos apelidos de “Binha” e “Salvador”, foi localizada pendurada por uma corda na área de convivência da unidade prisional, mas a perícia identificou indícios de que a cena pode ter sido forjada para simular um suicídio.

De acordo com o boletim de ocorrência, policiais penais abriram as celas por volta das 13h para o banho de sol dos internos. Cerca de duas horas depois, durante o procedimento de recolhimento dos presos, Everton foi encontrado suspenso por uma corda presa ao gradil da área de convivência da Galeria A, no Pavilhão 2 do presídio.

Durante a análise preliminar da cena, o perito criminal constatou que as lesões observadas na região do pescoço eram incompatíveis, em um primeiro exame, com a dinâmica normalmente verificada em casos de suicídio por enforcamento. A avaliação levantou a suspeita de que o detento possa ter sido morto antes de ser pendurado, numa tentativa de ocultar um homicídio.

Diante dos indícios, o caso foi registrado na 3ª Delegacia de Polícia Civil como homicídio qualificado por traição, emboscada ou outro recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima. O corpo foi encaminhado ao Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), onde exames complementares deverão determinar a causa exata da morte. A investigação também enfrenta uma dificuldade adicional: a área onde o corpo foi encontrado não possui sistema de videomonitoramento.

Everton Lopes foi condenado em março de 2024 a 44 anos, cinco meses e 12 dias de reclusão, além do pagamento de 4.442 dias-multa. Ele figurou entre os principais alvos da Operação Fóssil, conduzida pela SIG (Seção de Investigações Gerais) da Polícia Civil de Nova Andradina, que desarticulou uma organização criminosa responsável pelo abastecimento do tráfico de drogas na região.

Segundo as investigações da operação, Everton era apontado como um dos fornecedores de entorpecentes para traficantes de Nova Andradina. Durante as diligências, os policiais encontraram aproximadamente 20 quilos de maconha enterrados no quintal de um imóvel ligado ao condenado. Somadas, as penas aplicadas aos envolvidos na Operação Fóssil ultrapassaram 124 anos de prisão.

A morte de Everton é a segunda registrada no sistema prisional de Mato Grosso do Sul nesta semana. Na terça-feira (23), um detento de 62 anos morreu após sofrer um infarto na Penitenciária Estadual de Dourados (PED). Em nota, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) informou que todos os procedimentos necessários foram adotados pela Polícia Penal e que as circunstâncias da morte na Penitenciária de Segurança Máxima seguem sob investigação.

 

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