Investigação contra Jaques Wagner amplia desgaste do PT nas redes sociais, aponta levantamento

Lula ao lado de Jaques Wagner - Foto:  Reprodução/Palácio do Planalto
Lula ao lado de Jaques Wagner - Foto: Reprodução/Palácio do Planalto

A inclusão do senador Jaques Wagner entre os alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero provocou uma mudança significativa na narrativa sobre o caso Banco Master nas redes sociais e ampliou o desgaste do PT no ambiente digital. É o que aponta um levantamento da consultoria Palver, realizado em parceria com o SBT News, que identificou uma forte associação do escândalo ao partido e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a divulgação das denúncias contra o líder governista no Senado.

Segundo o coordenador de Inteligência da Palver, Lucas Cividanes, a pesquisa buscou avaliar se a repercussão da operação seria reduzida pela disputa da Copa do Mundo, que tem concentrado grande parte da atenção dos usuários nas plataformas digitais. Apesar da concorrência com o noticiário esportivo, o caso registrou um pico de engajamento justamente no dia em que os novos desdobramentos ganharam destaque na imprensa nacional.

De acordo com os dados analisados, o enquadramento denominado “PT-Master”, que relaciona o Banco Master ao PT e a integrantes do governo federal, respondeu por 82,4% das menções monitoradas no período. A maior parte das publicações apresentava tom crítico ao senador Jaques Wagner, indicando um impacto direto na imagem do partido dentro das discussões online.

Antes da nova fase da operação, o cenário era diferente. Conforme a consultoria, cerca de 90% das conversas sobre o Banco Master estavam concentradas no chamado “BolsoMaster”, expressão utilizada para associar o caso a lideranças da direita e do campo bolsonarista. As discussões eram impulsionadas principalmente pelos áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além das investigações relacionadas ao senador Ciro Nogueira.

Com o avanço das investigações sobre Jaques Wagner, houve uma inversão quase completa da dinâmica nas redes. Segundo Cividanes, os novos fatos reduziram a vantagem que o PT mantinha na disputa narrativa sobre o caso. Na avaliação dele, os desdobramentos da nona fase foram prejudiciais aos petistas ao equilibrar um debate que até então era amplamente desfavorável aos adversários políticos do partido.

O estudo também mostrou que o volume de repercussão envolvendo Wagner alcançou níveis semelhantes aos observados anteriormente nos episódios ligados a Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira. Para a Palver, isso demonstra que o caso Banco Master passou a produzir desgaste político relevante para representantes de diferentes correntes ideológicas.

Apesar da forte repercussão inicial, o interesse pelo tema diminuiu nos dias seguintes. Conforme a análise, a realização da Copa do Mundo contribuiu para deslocar parte da atenção do público para o futebol, reduzindo a intensidade das discussões sobre o caso nas plataformas digitais. Segundo o especialista, esse contexto acabou amenizando a exposição do governo ao tema nos dias posteriores à divulgação das investigações.

 

Com informações do SBT News

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