No Dia Nacional do Rock, Araruna Fest vem conquistando os campo-grandenses

Show do Araruna na ultima edição -(C) Leo Aversa
Show do Araruna na ultima edição -(C) Leo Aversa

No Dia Nacional do Rock, Araruna Fest vem conquistando os campo-grandenses

O som das guitarras, das baterias marcantes e das letras que atravessam gerações ganha um dia especial no calendário brasileiro. O Dia Nacional do Rock poderá ser oficializado em 28 de junho, data escolhida em homenagem ao nascimento do cantor e compositor Raul Seixas. A proposta que cria a celebração nacional.

Data já oficializada, o gênero continua sendo celebrado por fãs em todo o país por meio de eventos que mantêm a cultura do rock viva. Em Campo Grande, um dos exemplos desse movimento é o Araruna Fest, festival que vem conquistando espaço na agenda cultural da cidade e reunindo públicos de diferentes gerações em torno da música.

A última edição do evento foi realizada em 30 de maio de 2026 e trouxe ao palco nomes conhecidos do rock nacional, como Frejat e O Bando do Velho Jack. Com ingressos que variaram entre R$ 75 e R$ 420, o festival reforçou a proposta de aproximar artistas consagrados e novos momentos da cena musical. Em edições anteriores, como a realizada em dezembro de 2025, o público também acompanhou apresentações de nomes como Lobão e Plebe Rude.

Com novas atrações já previstas, incluindo um show especial dos Titãs em celebração aos 40 anos do álbum “Cabeça Dinossauro”, o Araruna Fest segue fortalecendo sua presença no cenário cultural sul-mato-grossense. Para entender o impacto do festival e as memórias construídas ao longo das edições, o jornal O Estado conversou com artistas regionais que fizeram parte dessa história. Prepare o volume, porque o rock continua.

Resistência do gênero

Erica Espindola durante Araruna Fest 2025 – (C) Instagram 

A cantora Érica Espíndola, que participou da edição de 2025 do Araruna Fest como atração de abertura dos shows de Lobão e Plebe Rude, destaca a importância do festival para fortalecer outros espaços da música em Campo Grande. Para ela, o evento representa a resistência de um gênero que historicamente carrega a liberdade de expressão e a busca por novas formas de pensar a sociedade.

“O rock sempre teve esse papel de questionar, de ir contra o comum e mostrar novas ideias. O Araruna Fest chega em um momento importante, porque existe um público que gosta desse estilo e muitas vezes não tinha tantos espaços. O festival mostra que o rock continua vivo, talvez de uma forma mais discreta, mas ainda presente como cultura e como um jeito de se expressar”, conta.

Além da música, Érica Espíndola também ressalta o impacto cultural que festivais como o Araruna Fest podem gerar para a cidade. Segundo a cantora, eventos voltados ao rock ajudam a fortalecer artistas locais, ampliar espaços de expressão e movimentar diferentes setores ligados à produção cultural, criando uma rede que vai além do palco.

“Acredito que esse momento de valorização do rock acontece junto com uma fase de mais questionamentos e transformações na sociedade. A música traz essas reflexões para o público. Campo Grande tem uma cena de rock muito forte e verdadeira, porque quem permanece nesse estilo faz por paixão. Um festival como esse fortalece artistas, cria oportunidades e movimenta toda uma cadeia cultural, desde músicos até profissionais que trabalham nos bastidores”, afirma.

Conexões

Fábio O Corvo, Bando do Velho Jack – (C) Roberto S. Oshiro Jr

O guitarrista do Bando do Velho Jack, Fábio “Corvo” Terra, destaca a importância de dividir o palco com grandes nomes da música brasileira e como o Araruna Fest tem contribuído para aproximar diferentes gerações do rock. Para o músico, o festival fortalece a cena local ao reunir artistas consagrados e abrir espaço para novas conexões dentro do gênero.

“Tocar ao lado de um artista como o Frejat é muito especial, principalmente porque o Barão Vermelho sempre foi uma referência para o Bando do Velho Jack. O Araruna tem esse papel de trazer nomes importantes dos anos 80, resgatar memórias de quem viveu aquela época e apresentar esses artistas para um público mais jovem. Isso ajuda a renovar a cena, fortalecer o rock em Campo Grande e valorizar quem faz parte desse movimento”, observa.

Com três décadas de história no rock, o Bando do Velho Jack acompanha o crescimento e as mudanças da cena musical em Campo Grande. Para Corvo o fortalecimento do gênero depende da valorização de artistas autorais e de eventos que criam oportunidades para músicos e aproximam diferentes públicos. A próxima edição do Araruna Fest, com a apresentação dos Titãs, é vista pelo músico como mais um momento importante para a cultura do rock na cidade.

“O Bando tem 30 anos de carreira, com discos, DVD e muitos shows realizados pelo Brasil, então momentos como esse são muito especiais. A cena do rock em Campo Grande vem ganhando força, mas ainda precisa valorizar mais as bandas que têm seu próprio trabalho. Festivais como o Araruna, trazendo artistas como os Titãs com a turnê de ‘Cabeça Dinossauro’, ajudam a movimentar a cidade, renovar o público e mostrar que o rock continua vivo”, afirma.

Produção

O idealizador do Araruna Fest e CEO da 93 Produções, Patrick Gontier, avalia que a realização de eventos de rock em Campo Grande envolve desafios, principalmente pela variação de público e pela necessidade de mais espaços preparados para receber grandes apresentações. Para ele, a continuidade do festival é um caminho para fortalecer o interesse dos fãs e consolidar o gênero na região.

“Campo Grande é um mercado que tem suas dificuldades, com mudanças no público e poucos locais para grandes eventos. Mas acreditamos que manter uma sequência de shows com qualidade e trazer bons artistas faz com que as pessoas voltem a frequentar. Existe público para o rock, não apenas na Capital, mas também em cidades próximas, como Três Lagoas e Dourados”.

Patrick finaliza afirmando que o rock mantém uma base de fãs fiel e tem potencial para conquistar novas gerações. Segundo ele, o fortalecimento do gênero depende da criação de um ambiente cultural contínuo, que valorize artistas locais e incentive a presença do público nos eventos.

“O rock vai além de um estilo musical, ele representa uma forma de expressão. Existe um público apaixonado pelo gênero e também pessoas que gostam de outros estilos, como o sertanejo, mas que podem ter o rock como parte da sua identidade musical. O importante é criar esse ecossistema e valorizar grandes nomes da cena sul-mato-grossense, como O Bando do Velho Jack, Guga Borba e A Arca. O Araruna veio para permanecer e contribuir com esse movimento, mostrando que o rock não acabou, ele precisa ser cultivado”.

Com a união entre artistas, produtores e público, o cenário do rock em Mato Grosso do Sul busca novos caminhos para continuar presente na cultura local.

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