A inauguração da nova sede de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), nesta segunda-feira (22), marca uma nova fase para a ciência e a saúde pública em Mato Grosso do Sul. Com investimentos federais de cerca de R$ 50 milhões, o complexo instalado ao lado da Embrapa Gado de Corte, na Vila Popular, em Campo Grande, amplia a capacidade de pesquisa da instituição em áreas estratégicas como doenças infecciosas, vigilância genômica, saúde indígena, biodiversidade e monitoramento de doenças em regiões de fronteira.
A cerimônia de inauguração reuniu diversas autoridades e representantes de instituições ligadas à ciência, saúde e educação. Participaram do evento representantes da Fiocruz nacional, do governo de Mato Grosso do Sul, da prefeitura de Campo Grande, da SES (Secretaria de Estado de Saúde), da Embrapa Gado de Corte, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), do Lacen-MS (Laboratório Central de Saúde Pública de Mato Grosso do Sul), além de pesquisadores, gestores públicos, profissionais da saúde, estudantes, membros de organizações da sociedade civil e representantes de centros de pesquisa e instituições de ensino superior que mantêm parcerias com a fundação no Estado.

Autoridades, representantes de instituições , pesquisadores e estudantes, prestigiaram o evento – Foto: Juliana Aguiar
A nova estrutura reúne laboratórios de Biologia Molecular, Biodiversidade, Imunofarmacologia, Sequenciamento Genético e Entomologia, além de um biotério e espaços destinados aos pesquisadores. A proposta é concentrar em um único local diferentes etapas das investigações científicas, fortalecendo a capacidade de resposta do Estado diante de desafios sanitários e ambientais.
Durante a solenidade, a diretora da Fiocruz Mato Grosso do Sul, Jislaine Guilhermino, ressaltou que a nova sede representa um avanço importante para a atuação da instituição. Segundo a diretora, o novo complexo permitirá que a Fiocruz desenvolva pesquisas, diagnósticos e ações de vigilância em saúde com maior autonomia e eficiência.

Jislaine Guilhermino, diretora da Fiocruz Mato Grosso do Sul – Foto: Roberta Martins
“Essa estrutura nova amplia a nossa capacidade científica e tecnológica. Ela entrega um espaço muito mais adequado para a nossa equipe desenvolver suas atividades e, consequentemente, amplia a nossa entrega para a sociedade”, afirmou.
Jislaine destacou ainda que a unidade foi concebida para atender às características específicas de Mato Grosso do Sul, um estado que reúne áreas dos biomas Pantanal e Cerrado, extensa faixa de fronteira internacional e uma expressiva população indígena.
“Mais do que inaugurar salas e equipamentos, inauguramos novas possibilidades de investigação e cooperação. Esta sede representa a ciência feita a partir do território, conectada ao SUS (Sistema Único de Saúde), à saúde única, à proteção da vida e ao direito de todas as pessoas à saúde”, declarou.
A diretora também lembrou da atuação da instituição durante a pandemia de Covid-19, quando pesquisadores precisaram recorrer à infraestrutura de parceiros para auxiliar no diagnóstico da doença. “Naquele momento nós não tínhamos a nossa estrutura física pronta. Em parceria com a Embrapa, a Secretaria de Estado de Saúde e o Lacen, assumimos atividades de diagnóstico em Corumbá e depois em Campo Grande. Hoje ampliamos essa capacidade de entrega com a nova estrutura”, disse.

Foto: divulgação/arquivo
Para o médico infectologista, pesquisador e professor da Faculdade de Medicina da UFMS, Júlio Croda, a inauguração consolida a presença da Fiocruz como uma instituição voltada à geração de conhecimento com impacto direto na vida da população.
“A gente consolida, principalmente na área da saúde, uma instituição voltada para pesquisa e para gerar impacto em termos de saúde pública. São pesquisas aplicadas diretamente no dia a dia da população”, afirmou.
Croda ressaltou que a experiência da pandemia evidenciou a importância de investir em infraestrutura científica. “Nós vivemos a pandemia e vimos a importância da Fiocruz na resposta à crise sanitária e a futuras emergências de saúde pública. Isso qualifica o Estado do ponto de vista da infraestrutura e ajuda a garantir diagnósticos, assistência e respostas mais rápidas em momentos de crise”, destacou.
O pesquisador também lembrou que a unidade representa apenas uma etapa da expansão da Fiocruz em Mato Grosso do Sul. “Antes nós tínhamos um escritório mais administrativo. Agora temos uma base de pesquisa instalada no Estado e, futuramente, teremos um Centro de Pesquisa Clínica, que já foi licitado e deve ser construído nos próximos dois anos. Essas estruturas tornam a pesquisa em Mato Grosso do Sul mais relevante e fortalecem a capacidade de resposta às necessidades da população”, concluiu.
Com área construída de 3.677 metros quadrados, a nova sede amplia a capacidade científica da Fiocruz em Mato Grosso do Sul e reforça a integração com universidades, institutos de pesquisa e órgãos públicos. A expectativa é que o complexo se torne um centro de referência para estudos sobre arboviroses, doenças emergentes, vigilância genômica, saúde indígena, biodiversidade e saúde única, contribuindo para o fortalecimento do SUS e para o desenvolvimento científico da região.
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