O Partido Liberal (PL) apresentou ao presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Nunes Marques, uma série de sugestões para alterar procedimentos relacionados à apuração dos votos nas eleições deste ano. A informação foi confirmada pelo líder da legenda na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ), em entrevista ao programa Sala de Imprensa, do SBT News.
Segundo o parlamentar, o partido elaborou oito propostas com o objetivo de aprimorar o processo eleitoral. Entre elas, está o pedido para que o TSE volte a divulgar a contagem dos votos por estado antes da totalização nacional realizada pela Corte, em Brasília. Outra sugestão trata do reforço da segurança da votação em áreas dominadas por milícias e facções criminosas.
“Nós vamos levar oito sugestões ao novo presidente do TSE para que ele avalie de que forma é possível aprimorar, porque nós acreditamos que dará mais equilíbrio aos partidos”, afirmou Sóstenes.
O deputado argumentou que a divulgação descentralizada da totalização dos votos funcionaria como um mecanismo adicional de conferência dos resultados. Segundo ele, a preocupação do partido está relacionada à possibilidade de ataques cibernéticos.
“Quando tem a totalização nos estados é um backup. Nosso receio são os hackers. Quando você tem um único canal de totalização é o único canal de checagem. Só tem a sala escura aqui em Brasília que publiciza o resultado eleitoral. Quando tem 27 estados totalizando é um primeiro mecanismo de soma”, declarou.
O Tribunal Superior Eleitoral, por sua vez, esclarece que a totalização dos votos continua sendo realizada por região antes da consolidação do resultado nacional, apesar das críticas apresentadas pelo partido.
Voto impresso fica para o futuro
Embora o PL tenha defendido anteriormente a adoção do voto impresso, Sóstenes afirmou que a proposta não será apresentada para as eleições de 2026, por considerar que não há tempo hábil nem recursos financeiros para implementar a mudança.
Ainda assim, o líder da legenda afirmou que o partido pretende manter a defesa da medida nos próximos anos e buscar sua aprovação no Congresso Nacional.
“Logicamente que para essa eleição de 2026 não tem tempo hábil, não tem recursos financeiros. Nós temos coerência do que pede. Mas que nós vamos continuar pedindo isso para o futuro, tentar votar no Congresso, vamos. E eu espero que, se o nosso pré-candidato à Presidência da República ganhe, seja uma das primeiras medidas que ele busque aprimorar”, disse.
Grupo discute aperfeiçoamentos
Após ter sido multado em R$ 22 milhões por questionar o resultado das eleições de 2022, valor que já foi quitado pela legenda, o PL criou um grupo de trabalho para discutir propostas de aperfeiçoamento do sistema eleitoral. A equipe é coordenada pelo deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ), ex-ministro da Saúde.
Sobre o início da gestão de Nunes Marques à frente do TSE, Sóstenes afirmou que ainda é cedo para fazer uma avaliação do trabalho do ministro, mas destacou que espera uma atuação imparcial da Corte.
“A gente espera isonomia do ministro Kassio, sem nenhum tipo de influência para lado A ou B. Esse início, eu não vou avaliar porque tem muito pouco tempo”, afirmou.
O parlamentar também desejou êxito ao presidente do TSE e disse esperar que a Corte conduza os debates relacionados ao processo eleitoral com responsabilidade e equilíbrio.
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