Com eleições cada vez mais próximas, advogado eleitoral explica sobre pesquisas eleitorais

Vinicius Monteiro tira dúvidas da ferramenta que se tornará protagonista nos próximos dias - Foto: Roberta Martins
Vinicius Monteiro tira dúvidas da ferramenta que se tornará protagonista nos próximos dias - Foto: Roberta Martins

Especialista alerta que reputações podem ser destruídas e o capital político pode ser colocado em xeque por erros em áreas estratégicas

Com as Eleições de 2026 por perto, as pesquisas de intenção de votos ganham destaques aos olhos políticos. Em meio a alianças partidárias e convenções, a decisão do PL de selecionar seu segundo candidato ao Senado com base em levantamentos estatísticos, o debate sobre os limites e as possibilidades do instrumento são reacendidos.

Para o advogado especializado em direito eleitoral, Vinicius Monteiro Paiva, as pesquisas são ferramentas valiosas, mas não podem ser encaradas como o único parâmetro para decisões estratégicas. As pesquisas eleitorais são trabalhos estatísticos que utilizam amostragens para projetar resultados.

“Existem técnicas de estatística que conseguem pegar uma amostragem proporcionalmente pequena, e fazer com que os quesitos, as formas com que as pesquisas são realizadas, ao final, representem ali exatamente o resultado final da urna ou algo muito próximo, como eles mesmos colocam ali, existe uma certa margem de erro”, e ressalta a importância da transparência no processo.

O registro das pesquisas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é obrigatório e exige a divulgação de todas as metodologias utilizadas. Mas o rigor das pesquisas não elimina a possibilidade de pesquisas tendenciosas, que podem ser impugnadas. Casos comprovados as irregularidades, pode gerar penalidades como multas ou impedimento de publicação.

O caso do PL, que planeja escolher seu candidato ao Senado com base em pesquisas, ilustra uma tendência que, para Monteiro, é legítima. “A política é uma soma de estratégias. Análise das pesquisas é um elemento, mas você tem os potenciais de voto”.

O advogado lembra que candidatos com índices baixos no início da campanha podem vencer o pleito, como aconteceu com o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. “É e sempre foi algo muito relevante, mas não é tudo”, sintetiza.

Entre outros fatores que influenciam a escolha, Monteiro destaca o histórico do candidato, sua experiência, a confiança dos dirigentes partidários e o capital político acumulado. “Você tem que conhecer as propostas, conhecer o plano de governo daqueles candidatos, tem que conhecer o histórico do candidato, saber da experiência, dos trabalhos que já foram realizados”.

A gestão de riscos também entra na equação.”É necessário que o partido faça um trabalho muito cuidadoso na gestão de todos esses riscos, seja na gestão financeira, seja na gestão jurídica, na gestão de marketing do candidato, seja na parte de contabilidade também”.

O advogado alerta que reputações podem ser destruídas e o capital político pode ser colocado em xeque caso haja erros em áreas estratégicas.

Sobre a influência das pesquisas na definição de candidaturas, Monteiro é enfático ao afirmar que elas são um “bom parâmetro”, mas que decisões exclusivamente baseadas em levantamentos estatísticos podem ser limitadas.

“É um investimento, porque você tem uma verba e vai colocar uma verba. Então, é um bom indexador, é um bom parâmetro, você analisar a pesquisa, mas também costumam ser levados em consideração outros elementos que compõem o potencial eleitoral de cada candidato”.

Para o especialista, o grande desafio das pesquisasé conciliar a precisão estatística com a complexidade da política real. Ele aponta que os partidos devem usar os dados como um guia, e não como uma verdade. “No caso do PL, sim, eles têm divulgado que o parâmetro vai ser a pesquisa. E é um bom parâmetro. Eu estou concordando com o posicionamento deles. Mas não é um parâmetro isolado”.

Por Lucas Artur

 

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