Bolsonaro aguarda decisão de Moraes sobre prisão domiciliar e futuro do cumprimento da pena

Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro aguarda uma nova decisão do ministro Alexandre de Moraes sobre a forma como continuará cumprindo a pena de 27 anos e três meses imposta pela Justiça. O prazo de 90 dias da prisão domiciliar humanitária concedida pelo STF (Supremo Tribunal Federal) termina nesta quinta-feira (25), mas especialistas avaliam que o encerramento do período não implica, automaticamente, no retorno do ex-presidente ao regime fechado.

Em entrevista ao SBT News, o advogado e professor da USP (Universidade de São Paulo), Rubens Beçak, afirmou que a expiração do prazo não significa que Bolsonaro será imediatamente transferido para um presídio. Segundo ele, é necessária uma manifestação formal do relator do caso para definir os próximos passos. Na avaliação do especialista, diante da repercussão política e jurídica do processo, além das condições de saúde do ex-presidente, a tendência é que Moraes se pronuncie antes do fim do período estabelecido.

De acordo com Beçak, o ministro tem três caminhos possíveis. O primeiro seria prorrogar a prisão domiciliar por um novo prazo determinado. A segunda alternativa seria converter a medida em prisão domiciliar sem prazo previamente fixado, mantendo-a enquanto persistirem as condições que justificaram sua concessão. Já a terceira hipótese seria revogar o benefício e determinar o retorno de Bolsonaro ao regime fechado, caso considere que houve descumprimento das condições impostas.

A decisão que concedeu a prisão domiciliar, assinada em 24 de março, prevê que ao término dos 90 dias seja feita uma reavaliação dos requisitos que justificaram a medida, inclusive com a possibilidade de realização de perícia médica. Para o professor da USP, o texto permite interpretar que essa análise não precisa ocorrer necessariamente antes do encerramento do prazo. Ele ressalta ainda que não existe um prazo legal que obrigue um ministro do STF a decidir até determinada data, uma vez que a Corte é a instância máxima do Judiciário brasileiro.

Caso não haja manifestação até quinta-feira, Beçak entende que, em tese, Bolsonaro deveria retornar ao regime fechado. No entanto, ele considera improvável que a Polícia Federal execute essa medida automaticamente sem antes consultar o relator do processo. Segundo o jurista, a relevância do caso e suas consequências jurídicas e políticas tornam praticamente inevitável algum posicionamento do Supremo.

Na avaliação do especialista, a tendência é de manutenção da prisão domiciliar humanitária. Ele argumenta que as condições de saúde que fundamentaram a concessão do benefício continuam presentes e que esse tipo de medida normalmente não possui prazo determinado. Para Beçak, a fixação dos 90 dias representou uma cautela adicional adotada por Moraes em razão das circunstâncias específicas do caso, incluindo o episódio ocorrido em novembro de 2025, quando Bolsonaro teria tentado romper a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda enquanto cumpria prisão domiciliar preventiva.

Outro fator que pode influenciar a decisão é a investigação envolvendo uma arma apreendida com um militar ligado à segurança do ex-presidente. Na terça-feira (23), Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal sobre o caso. Segundo seu advogado, Paulo Cunha Bueno, a oitiva durou cerca de cinco minutos e o ex-presidente negou qualquer irregularidade. A expectativa agora é pela definição do STF sobre o futuro do cumprimento da pena.

 

Com informações do SBT News

Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook Instagram

 

Laia mais

Nova ferramenta permitirá consultar se celular usado foi roubado antes da compra

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *