Síndromes respiratórias: início do inverno pede atenção redobrada

Foto: Reprodução
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Internações por pneumonia e bronquiolite em crianças aumentam com a chegada das temperaturas mais baixas

 

A partir de amanhã (21), os brasileiros podem oficialmente comemorar a chegada do inverno. Mas o que para alguns é uma celebração, para outros exige atenção e cuidados redobrados. São em períodos como o que se aproxima que síndromes respiratórias, principalmente em crianças, tendem a aumentar. Com a chegada do frio, internações por pneumonia e bronquiolite em pequenos preocupam pais, escolas e a gestão da saúde pública da Capital.

Frio = maior circulação
Em uma entrevista exclusiva ao jornal O Estado, o médico pediatra e neonatologista doutor Walter Peres, afirmou que a chegada do inverno passam a preocupar muito mais os especialistas em saúde infantil e também alertou sobre resfriados, gripes, crises de asma ou sibilância, laringites, sinusites, otites, além da bronquiolite e pneumonia.

“A bronquiolite e a pneumonia merecem atenção especial porque podem evoluir com dificuldade respiratória e necessidade de atendimento médico mais urgente. A bronquiolite preocupa principalmente em bebês, especialmente menores de 2 anos, enquanto a pneumonia pode ocorrer em várias idades e, dependendo da gravidade, pode exigir antibiótico, oxigênio ou internação”, explica o médico.

Um dos motivos para o aumento dos casos é explicado de forma simples e lógica. “Com o frio, as pessoas tendem a ficar mais tempo em ambientes fechados e com menor ventilação, o que facilita a transmissão de vírus respiratórios”, diz. “Além disso, o ar frio e seco pode irritar as vias respiratórias, reduzir mecanismos naturais de defesa do nariz e dos brônquios e favorecer crises em crianças com rinite, asma ou maior sensibilidade respiratória. Também há maior circulação de vírus como influenza, vírus sincicial respiratório, rinovírus e outros agentes que causam bronquiolite, gripes e resfriados”, complementa.

A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) respondeu à reportagem e afirmou que as síndromes respiratórias apresentam um comportamento sazonal bem estabelecido. Isso significa que, durante os meses de outono e inverno, ou seja, de março a agosto, há um aumento da circulação de vírus respiratórios. Com isso, cresce também a demanda por atendimentos de urgência, consultas e internações nas alas pediátricas, principalmente em crianças menores de cinco anos.

Diferenças de sintomas
Muitos pais e responsáveis podem ficar confusos entre tantas doenças respiratórias. Mas, de forma simples, a bronquiolite é uma infecção que acomete principalmente os bronquíolos, que são as vias aéreas menores dentro do pulmão. “Ela geralmente é causada por vírus, principalmente o vírus sincicial respiratório, e é mais comum em bebês menores de dois anos. Costuma começar como um resfriado, com coriza, obstrução nasal e tosse, podendo evoluir para chiado no peito, respiração rápida e dificuldade para mamar ou respirar”, aponta Walter.

“Já a pneumonia é uma infecção que acomete o tecido pulmonar, os alvéolos, que são as áreas onde ocorre a troca de oxigênio. Pode ser causada por vírus ou bactérias. Na pneumonia, a criança pode apresentar febre, tosse, cansaço, respiração rápida, dor no peito ou dor abdominal, queda do estado geral e, em alguns casos, necessidade de antibiótico”, finaliza.

A importância está na observação dos pais. Na maioria das vezes, os quadros começam como um resfriado comum: coriza, nariz entupido, espirros, tosse, febre baixa, irritabilidade e redução do apetite. Mas, se a tosse piorar progressivamente, febre persistente, cansaço, respiração acelerada, chiado no peito, dificuldade para mamar ou se alimentar e sonolência são sinais que exigem maior atenção. Em bebês pequenos, às vezes a primeira manifestação importante é mamar menos, ficar mais quieto, gemer ou respirar com esforço.

Internações
Com a evolução alguns casos, a internação pode ser necessária. “Quando a criança apresenta queda da oxigenação, dificuldade respiratória moderada ou grave, pausas respiratórias, sonolência importante, desidratação, incapacidade de se alimentar ou mamar, piora progressiva apesar dos cuidados iniciais, ou quando há fatores de risco, como prematuridade, baixa idade, doenças cardíacas, pulmonares ou imunológicas”, explica Walter.

A permanência da criança no hospital também pode ser indicada quando a família não consegue manter observação segura em casa ou quando a criança precisa de oxigênio, hidratação venosa, nebulizações ou monitorização contínua.

“Sobre o tempo de internação, o período de internação varia conforme a gravidade do quadro clínico, idade da criança, presença de comorbidades e necessidade de suporte ventilatório. De modo geral, a permanência pode variar de poucos dias a períodos mais prolongados nos casos de maior complexidade. Em cenários de aumento sazonal das internações, o maior tempo de permanência de pacientes com quadros respiratórios graves pode contribuir para a redução da rotatividade dos leitos e gerar impacto na capacidade de resposta da rede de saúde”, adiciona a Sesau.

Cuidados e vacinação
Há cuidados que podem ser feitos em casa. O principal deles é manter uma boa hidratação. “Oferecer líquidos ou mamadas em menor volume e com maior frequência, fazer lavagem nasal com soro fisiológico, manter o ambiente ventilado, evitar fumaça de cigarro, perfumes fortes e produtos de limpeza com cheiro intenso”, indica o pediatra.

No entanto, a vacinação continua sendo a maneira mais indicada para reduzir casos. O ideal é manter todos os imunizantes em dia, incluindo influenza, COVID-19 quando indicada, pneumocócica, coqueluche e outras vacinas do calendário infantil.

Quem passou por isso
A professora e mãe de dois gêmeos de seis meses, Ana Carolina de Deus, teve que lidar com um período de intensa preocupação durante a internação dos filhos por bronquiolite. “Ficamos muito preocupadas, pois são muito pequenos para serem expostos a tanto sofrimento”, declara a professora.

Ana afirma que já tinha conhecimento sobre as doenças, mas que vivê-las de perto foi um trauma. “Eu já havia visto alguns vídeos e morria de medo dessa doença, mas pelo preço da vacina não tinha muito o que eu fazer, tomamos os devidos cuidados em casa e na rua, tanto é que nunca foram ao shopping, mas precisamos colocá-los na escolinha para trabalhar e foi aí em três dias que pegaram”, lamenta.

Hoje, os gêmeos estão bem e em casa. Com a própria história, a mãe busca aconselhar outros responsáveis por crianças pequenas. “Não deixem para levar ao médico na última hora, pois a evolução da bronquiolite é muito rápida, de um dia para o outro! Protejam o máximo que conseguirem, pois é muito triste ver seu filho respirando com ajuda de aparelho e sendo furado todos os dias”.

Por Maria Gabriela Arcanjo

 

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