Com passagens pela base de seu país, pelo Rosario Central-ARG, e do Fluminense de Joinville, o nigeriano Michael Ebere, 24 anos, busca espaço no futebol brasileiro. Ele é um dos jogadores que veio no pacote para atuar pelo Taveirópolis na Série B do Sul-Mato-Grossense.
“Eu sou muito habilidoso com a bola, muito rápido. Posso ajudar com assistências e gols”, disse, durante treino de ontem (25)de manhã, no campo do Cene. O jogador carrega uma experiência marcante: ter sido treinado por Nwankwo Kanu, ídolo do seu país e campeão olímpico em 1996. “Foi muito bom, eu aprendi muito com ele. Ele falava muito da medalha de ouro e do gol que fez no Brasil [na semifinal, eliminando a Seleção no “gol de ouro”]. Ele ensinava que não pode ter medo de errar, tem que tentar de novo até acertar”, relembrou.
Michael veio para a América do Sul junto com o irmão, o atacante Christian Ebere, que atualmente joga no Cruz Azul, do México. “Quando eu cheguei aqui, foi um pouco difícil pegar a jogada daqui do Brasil. É muito diferente da Nigéria, de onde eu saí. Porque lá a gente joga na terra, não no campo, como é aqui. Então, eu acho aqui mais fácil”, contou.
Parceria viabiliza; Copa dificulta
Tradicional no futebol de Campo Grande, o Taveira foi fundado em 1938, e retornou aos gramados em 2025 para a disputa da Série B local, após longo período de inatividade. O clube originado no bairro Taveirópolis chegou a ficar 30 anos afastado das competições.
Com elenco enxuto, a equipe aposta em parceria com o Fluminense de Joinville (SC) para tentar novamente o acesso. Segundo o presidente Alécio Manoel de Farias, o grupo conta com 24 jogadores. “A maioria vem de fora, de várias localidades do país, e até estrangeiros. Tem nigeriano no grupo”, destacou ao citar o discípulo de Kanu. “Dos atletas que estão no Taveirópolis, a maioria é do Fluminense de Joinville. Os custos vêm de lá. Não é barato, mas é o que viabiliza a participação”, explicou.
O dirigente lamenta a concorrência com a Copa do Mundo. “Atrapalha porque o público não vem para o estádio assistir, porque eles vão assistir aos jogos (do Mundial). E aí você tem despesa, você tem prejuízo”, declara o presidente.
Técnico assumiu no mês passado
O técnico Clairton Santiago vem do Rio Grande do Sul e está há um mês no cargo. “O futebol não tem muita inovação. Eu penso que ele é um 4-3-3 e aí você varia conforme a necessidade. A gente mascara um pouco para não dar arma ao adversário”, explicou.
O treinador aponta a inexperiência como principal dificuldade neste início de trabalho. “É um grupo muito jovem. Só dois atletas já tinham jogado profissionalmente. Isso pesou na estreia, com muita ansiedade. Mas é normal, e a gente está aqui para oportunizar”, afirmou. Já atuaram “para valer” apenas o zagueiro Matheus, 25 anos, e o meio-campista Winicius Kanidia, 28. Ao lado de Michael Ebere, são os três atletas do grupo com idade acima do limite de 23 anos estipulado pelo regulamento.
Mesmo com a derrota no primeiro jogo, Clairton vê potencial de evolução rápida. “A nossa meta é jogo a jogo. Agora o foco total é no União ABC, para conseguir os primeiros três pontos e entrar de vez no campeonato”, completou.
Derrotado por 2 a 1 pelo Misto na estreia, segunda-feira (22), o Taveira volta a campo na próxima segunda (29), às 19h30, diante do ABC, no Estádio Jacques da Luz.
Por Ricardo Prado
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