Retomada da UFN-III deve reduzir dependência do Brasil de fertilizantes importados

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Com investimento de R$ 5 bilhões em Três Lagoas, unidade da Petrobras pretende ampliar a produção nacional de ureia e fortalecer a autonomia do agronegócio brasileiro 

 

A retomada das obras da UFN-III (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III), da Petrobras, em Três Lagoas, representa uma aposta estratégica do Governo Federal para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados e ampliar a capacidade de produção nacional de insumos utilizados pelo agronegócio.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (25), durante cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Casa Civil, Miriam Belchior. Paralisada há 12 anos, a unidade receberá investimentos de R$ 5 bilhões da Petrobras, deverá gerar cerca de 8 mil empregos durante a fase de implantação e tem previsão de entrar em operação em 2029.

Atualmente, o Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes consumidos no campo, cenário que expõe o setor agropecuário às oscilações do mercado internacional e a crises geopolíticas que afetam o fornecimento desses produtos. A expectativa é que a retomada da fábrica em Mato Grosso do Sul contribua para reduzir essa dependência e aumentar a segurança do abastecimento nacional.

Durante o evento, o presidente Lula afirmou que a conclusão da unidade é fundamental para fortalecer a soberania produtiva do país.

“Em um país que é o segundo maior produtor de alimentos do mundo, é uma irresponsabilidade deixar uma fábrica desta parada. Um país jamais será soberano se não for dono das coisas que produz”, declarou.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que a localização da unidade é estratégica por estar próxima dos principais mercados consumidores de fertilizantes do país, incluindo Mato Grosso, Goiás, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Segundo ela, a fábrica terá capacidade para produzir 3,6 mil toneladas de ureia granulada e 2,2 mil toneladas de amônia por dia. A região onde a unidade está instalada concentra aproximadamente 40% da demanda brasileira por ureia.

Com a retomada da UFN-III e de outras unidades da Petrobras nos estados de Sergipe, Bahia e Paraná, a estatal projeta atender cerca de 35% da demanda nacional de ureia até 2029. A meta é ampliar gradativamente esse percentual nos anos seguintes.

Além do impacto para o agronegócio, o empreendimento é visto como um importante vetor de desenvolvimento para Mato Grosso do Sul. A expectativa é que a produção nacional de fertilizantes contribua para reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade do setor agrícola, beneficiando produtores e fortalecendo uma das principais atividades econômicas do país.

A retomada da UFN-III integra a carteira de investimentos do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que também prevê recursos para obras de infraestrutura urbana, habitação, saúde e mobilidade em Três Lagoas.

 

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