Copa 2026: Crianças transformam rua da Cidade da Copa em espaço de arte, futebol e memória em Campo Grande

Foto: Roberta Martins
Foto: Roberta Martins

Alunos da Escola Pública de Futebol participaram de pintura coletiva na Esplanada Ferroviária, deixando marcas em um espaço que receberá torcedores durante os jogos

A Esplanada Ferroviária de Campo Grande ganhou nesta quinta-feira (18) um novo colorido com a participação de crianças em uma intervenção artística que transformou parte do espaço em um cenário de celebração para a Copa do Mundo de 2026. A ação reuniu cerca de 20 alunos da Escola Pública de Futebol Professor Adelar, que deixaram suas marcas em uma das áreas que receberá o público durante a programação da chamada Cidade da Copa.

A atividade, realizada no trecho de acesso ao espaço montado com telão e arquibancadas para a transmissão dos jogos, faz parte das iniciativas que antecedem o evento esportivo na Capital. Além de preparar o ambiente para receber torcedores, a proposta busca envolver a comunidade e aproximar moradores do projeto por meio da arte e da participação coletiva.

O trabalho artístico teve orientação da artista plástica Belletopias, responsável pela criação da proposta visual que une elementos ligados ao futebol, à identidade brasileira e à diversidade. A pintura reúne símbolos tradicionais do esporte, estrelas da bandeira e referências ao sonho do hexacampeonato, criando uma intervenção pensada para envolver crianças e adultos no clima da competição.

As crianças foram divididas em grupos de quatro a cinco participantes para realizar a pintura, utilizando tintas doadas pelo vereador Jean Ferreira (PT) e pela deputada federal Camila Jara (PT-MS). O desenho, que ocupa aproximadamente um quilômetro de extensão, também contou com pincéis disponibilizados pelos organizadores da ação. Entre as ilustrações feitas no espaço estão a frase “Rumo ao Hexa”, a bandeira do Brasil com referências ao Ponto Bar e a taça do Hexa.

Participação da população

Para a reportagem, Belletopias contou que a criação ganhou um formato colaborativo ao permitir que o público infantil também participasse da construção da obra. Com um desenho pensado especialmente para o ambiente da Cidade da Copa, a proposta foi criar uma experiência em que as crianças não fossem apenas espectadoras, mas também parte do processo artístico, deixando suas próprias marcas no espaço.

“Eu comecei fazendo apenas os traços principais e deixando a etapa das cores para elas, porque acho importante que tenham essa liberdade de participação. O desenho foi surgindo aos poucos, algumas ideias apareceram durante o processo, como a bandeira e o conceito de rumo ao hexa. É uma ocupação diferente, porque ações assim aproximam a arte das pessoas e fazem a comunidade se sentir parte daquele momento”, conta.

A intervenção artística também marca uma nova experiência para Belly Tobias, que participa pela primeira vez de uma pintura realizada diretamente em um espaço público. Acostumada a trabalhar com outras formas de arte, a artista destaca que o projeto trouxe um novo desafio ao envolver a criação coletiva com as crianças e transformar a rua em um ponto de encontro entre arte, esporte e comunidade.

“Foi tudo acontecendo de uma forma muito espontânea. Algumas ideias já estavam pensadas, como a bandeira, mas outras foram surgindo durante o processo. É a primeira vez que faço uma pintura nesse formato, então também está sendo uma novidade para mim. Acho muito especial poder dividir esse momento com as crianças, porque mais do que pintar uma rua, é criar uma lembrança e mostrar que a arte também pode ocupar espaços públicos”, conta.

Espaços e escolinhas públicas

A participação das crianças na pintura faz parte da proposta de aproximar a comunidade das ações realizadas na Cidade da Copa. Segundo o diretor-presidente da Funesp, Maicon Mommad, a iniciativa busca criar uma lembrança coletiva para os participantes e valorizar o envolvimento dos alunos da Escola Pública de Futebol, projeto que atende crianças e adolescentes em diferentes regiões de Campo Grande.

“A Escola Pública de Futebol atende mais de 20 locais na cidade, e um dos polos é o Elias Gadia, que fica próximo da Cidade da Copa. Por isso escolhemos trazer esse grupo para participar da pintura. Ao todo, o polo conta com cerca de 100 crianças, mas hoje vieram aproximadamente 20 alunos, justamente a turma que tinha aula neste período. A ideia é que eles façam parte dessa história e guardem essa memória da participação em um espaço que vai receber tantas pessoas”, detalha.

Para Thallyson Perez, produtor cultural e responsável pelo Ponto Bar, um dos organizadores do projeto, a proposta foi criar um momento coletivo que aproximasse moradores do espaço e trouxesse a identidade da Copa para o ambiente que receberá os torcedores.

“Quando pensamos na Copa, a pintura das ruas sempre fez parte dessa memória. Depois de um primeiro jogo com bastante chuva, a gente se mobilizou junto com os parceiros, chamou a Belly, que assinou a arte, e convidou as crianças por meio da Funesp para participar desse momento. A expectativa é que a Cidade da Copa receba entre 5 e 10 mil pessoas passando pela Esplanada para acompanhar os jogos, e queremos que todos sintam que esse espaço também pertence à comunidade”, diz Thallyson.

Crianças que colorem

Entre os participantes da ação artística estava Lorenz Rodrigues, de 10 anos, aluno da Escola Pública de Futebol, que ajudou a transformar a rua da Cidade da Copa com cores e desenhos inspirados no clima do Mundial. A atividade proporcionou aos jovens uma experiência diferente fora do campo, permitindo que eles participassem da construção de um espaço que será frequentado pela comunidade durante os jogos.

“Eu achei muito legal participar da pintura e ajudar a deixar a rua mais bonita para a Copa. É diferente fazer uma atividade assim junto com outras crianças, porque a gente está fazendo parte de um momento que vai ficar marcado”, conta.

Durante a pintura da Cidade da Copa estava Giovanna Fernandes, de 9 anos, aluna da Escola Pública de Futebol. Praticante da modalidade há cerca de três anos, a menina, que atua como lateral, participou da atividade artística pela primeira vez e contou que a paixão pelo futebol começou dentro de casa, inspirada pelo pai, que já teve experiência como goleiro.

“Eu fiquei muito animada de participar da pintura. Nunca tinha feito algo assim antes e vou lembrar de tudo daqui. Eu gosto muito de futebol e comecei a jogar por causa do meu pai, que também já jogou como goleiro. Agora estou feliz de fazer parte desse momento e também vou assistir ao jogo do Brasil”, finaliza.

 

Amanda Ferreira

 

 

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