Artesã de MS leva peças para feira de artesanato em Paris

Foto: divulgação
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O Pantanal vai desembarcar em Paris pelas mãos da artesã e ceramista Fabiane Marçal. Única representante de Mato Grosso do Sul selecionada para a ‘Feira Maison & Objet Paris’, a artista levará, em setembro, peças que retratam a fauna sul-mato-grossense a um dos mais importantes eventos internacionais de design e decoração.

Não será a primeira vez que Fabiane leva o nome de Mato Grosso do Sul além-mar: em 2024, ela foi selecionada para exibir o seu trabalho em Bogotá, capital da Colômbia, e em 2025 foi para Lisboa, em Portugal.

Para o jornal O Estado, ela revela que cada oportunidade serviu como um aprendizado, principalmente nos setores de exportação. “Recebi um e-mail dizendo que, entre os 520 inscritos, fiquei entre os 20; fui a única selecionada do Estado para Lisboa e em Bogotá havia mais duas colegas”. Esse intercâmbio é promovido pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), instituição oficial responsável por promover os produtos e serviços do Brasil no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos, em parceria com o Sebrae, que custeia parte dos custos, em uma viagem que inclui rodadas de negócios com lojistas internacionais, visita à feira de artesanato e oportunidades de exportar os trabalhos do pequeno e médio empreendedor.

“É uma oportunidade única e maravilhosa que me deixa extremamente feliz, pois nunca imaginei chegar nesse ponto. As experiências anteriores me ajudaram a aperfeiçoar meu produto para exportação, produzindo oncinhas do Pantanal sobre madeira”, relatou.

Para facilitar o processo de importação para a feira, Fabiane precisou adaptar a sua arte. “Aprendi que trabalhar só com cerâmica, sem a madeira, que exige uma certificação específica. Isso simplifica. Esse aprendizado me impulsionou a criar novos produtos já voltados para o mercado externo”, explica.

Bogotá > Lisboa > Paris

A artesã, que possui 20 anos de experiência no artesanata, aprendidos com a mãe, reforça que representar MS para fora do país é a realização de um sonho, ao mesmo tempo que é uma grande responsabilidade. “Depois de levar meu trabalho para Bogotá e Lisboa, ser selecionada novamente para um evento internacional confirma que a arte produzida no nosso Estado tem qualidade, identidade e potencial para conquistar o mundo”, disse em entrevista ao jornal O Estado.

Além disso, Fabiane destaca que outro grande feito é fazer parte dos 20 artesãos escolhidos do país, entre mais de 500 artistas escolhidos, tornando-se um reconhecimento da sua trajetória, construída com dedicação, estudo e amor pela cerâmica.

“Mais do que representar o meu trabalho, vou representar a cultura de Mato Grosso do Sul, a riqueza do Pantanal e a tradição do artesanato brasileiro. Quero mostrar ao público internacional que cada peça carrega uma história, um território e um legado que aprendi com minha mãe e que hoje tenho a missão de preservar e compartilhar. Espero que essa oportunidade também dê mais visibilidade ao artesanato sul-mato-grossense e abra portas para outros artistas do nosso Estado”.

Em suas experiências de exportação anteriores, ela notou que o encantamento do público surge ao saber a história por trás de cada peça produzida.

“Quando explico que cada peça nasce da argila, é modelada manualmente, recebe pintura artesanal e leva horas, às vezes dias de trabalho, que é tradição familiar, eles passam a enxergar não apenas uma peça de cerâmica, mas uma obra carregada de dedicação, tradição e identidade cultural”.

Um dos destaques do seu trabalho é a onça-pintada, que chama a atenção pela beleza, imponência e por representar um dos símbolos mais fortes da fauna pantaneira. “As pessoas se encantam com toda a riqueza cultural representada na cerâmica. É gratificante saber que minha arte desperta essa curiosidade e faz com que pessoas de diferentes partes do mundo conheçam e valorizem Mato Grosso do Sul, mesmo sem nunca terem visitado o Brasil”.

 Preparação

Se as viagens para Bogotá e Lisboa foram essenciais para adquirir aprendizados sobre o mercado internacional e exportação, a ida a Paris trará ainda mais gás para Fabiane. Nas duas primeiras, ela entendeu o perfil dos consumidores, conheceu tendências e aprendeu sobre processos de exportação, logística, embalagem e apresentação dos produtos.

“Percebi que o mercado internacional valoriza muito a autenticidade, a qualidade do acabamento e a história por trás de cada peça. Hoje entendo que não basta produzir uma obra bonita; é preciso transmitir a identidade cultural que ela representa e oferecer um produto preparado para chegar com segurança ao destino”, explica.

“Para Paris, estou me preparando ainda mais. Estou selecionando peças que representam a essência do Pantanal e da cultura sul-mato-grossense, investindo em acabamentos, embalagens adequadas para o transporte internacional e em uma apresentação que valorize tanto a obra quanto a narrativa que ela carrega. Cada peça leva consigo não apenas a argila transformada em arte, mas também a história, a biodiversidade e a identidade do nosso Estado”, completa.

Arte com personalidade

Para a artesã, o que mais chama a atenção do público para o artesanato de Mato Grosso do Sul é a sua identidade, com peças que carregam a riqueza do Pantanal, do Cerrado, das tradições culturais e da história da população.

“Não produzimos apenas objetos artesanais, mas obras que contam histórias e representam um território. Hoje, o mercado internacional busca cada vez mais autenticidade, originalidade e produtos feitos à mão, com propósito e identidade cultural. Nesse aspecto, o artesanato sul-mato-grossense tem muito a oferecer. Cada peça é única, feita manualmente, e transmite a essência da nossa biodiversidade e da nossa cultura”.

Além da exposição das peças, a programação inclui rodadas de negócios e contato com lojistas internacionais, atividades que são extremamente importantes para Fabiane. “Mais do que realizar vendas durante o evento, espero abrir portas para futuras exportações, fortalecer minha rede de contatos e compreender ainda melhor as demandas do mercado internacional. Cada experiência como essa contribui para o crescimento do meu trabalho e para o aprimoramento da produção artesanal”, destaca.

“Também levo comigo um compromisso muito maior: representar Mato Grosso do Sul e mostrar ao mundo a riqueza do nosso artesanato. Acredito que, quando um artesão conquista espaço no mercado internacional, ele ajuda a dar visibilidade a todo o setor. Espero que essa participação inspire outros artesãos do nosso Estado e demonstre que, com dedicação, qualidade e identidade cultural, é possível levar a arte sul-mato-grossense para os mais importantes mercados do mundo”.

Aos artistas e artesãos que sonham em viver da própria arte, Fabiane deixa uma mensagem de encorajamento e esperança. “Acreditem na sua arte, mesmo quando parecer difícil. Tudo o que é feito com verdade, dedicação e amor floresce”, aconselha. Para ela, persistência e identidade são elementos fundamentais nessa trajetória, assim como a valorização das origens. “Nunca se esqueçam de honrar suas raízes; elas são a base da sua história. Estou vivendo um momento de muita alegria e espero que isso inspire outros artistas a acreditarem em seus sonhos”, finaliza.

Erramos

Na matéria “Do milho a paçoca!”, a legenda da foto foi publicada com crédito incorreto ‘Doces Momentos’. O crédito correto da imagem é ‘Confeitaria Dois Amores’. Pedimos desculpas pelo erro.

 

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