Ramon Galeano desapareceu do bairro onde reunia amigos e hoje tem paradeiro desconhecido
Era para ser mais uma dessas pautas sobre torcedor argentino apoiando sua seleção na Copa do Mundo. Nas últimas edições do torneio — 2014, 2018 e 2022 —, Ramon Galeano havia se tornado personagem frequente nas páginas esportivas de veículos da Capital. Sempre cercado por amigos e familiares, ele transformava a própria casa, no bairro Buriti, em ponto de encontro para acompanhar os jogos da Argentina.
Às vésperas de mais uma Copa, a reportagem voltou ao endereço para saber como ele se preparava para repetir o ritual. O cenário, no entanto, era outro.
A casa que antes chamava atenção pela pintura em azul e branco — cores da seleção argentina — agora exibe um verde berrante. Os atuais moradores são inquilinos e não completaram sequer um mês no local. Eles não conhecem o antigo ocupante da casa, mas foram o elo para um contato importante: a proprietária do imóvel.
Por telefone, nova surpresa: a locatária é a ex-esposa de Ramon Galeano – e pediu para não ter o nome divulgado. Ao relembrar os tempos em que a residência ficava cheia em dias de jogo, limitou-se a dizer: “Era muito bom, animado”. Sobre o paradeiro dele, não soube dar detalhes.
“Ele evaporou”
A ausência de informações oficiais abriu espaço para versões desencontradas entre os vizinhos. A reportagem ouviu moradores antigos da região e comerciantes que conviveram, ainda que superficialmente, com o argentino.
Presidente da Associação de Moradores do Buriti, Wilson Antônio garante que Galeano não morreu — mas também não sabe onde ele está. “Esse aí não morreu não, esse aí tá vivo, mas eu não sei onde é que ele está. Ele sumiu daqui, faz mais de dois anos que ele… evaporou, você entendeu?”, relatou. Segundo ele, o desaparecimento foi repentino: “Conheço ele, mas ele não mora mais aqui não, ele sumiu”.
A percepção é compartilhada por quem vive na vizinhança há mais tempo. Uma moradora, que não quis se identificar e está no bairro há aproximadamente dez anos, disse que, “a gente não sabe quando ele tá morando. Ele sumiu. Essa é a melhor frase, né?”.
Não há registros públicos recentes, nem contatos ativos. O homem que antes aparecia espontaneamente em reportagens e abria as portas de casa para entrevistas desapareceu do cotidiano local.
Versões e especulações
Sem pistas concretas, surgem especulações. Alguns moradores acreditam que Galeano tenha retornado à Argentina. Outros dizem que ele pode estar no Paraguai. A ex-esposa, porém, descarta a primeira hipótese: “Creio que não está na Argentina. Tenho muitos conhecidos no país e nunca viram ele por lá”.
Comerciante na região há 11 anos, Johny Seabra Loureiro lembra que o argentino frequentava o bairro e o conhecido de vista. Para ele, o desaparecimento aconteceu de forma brusca. “O que a gente sabe, o que eu sei, é isso aí: ele sumiu. Chegou nesse ponto aí, né?”, diz Seabra.
A fala do comerciante evidencia o principal obstáculo da apuração: a falta de informações verificáveis. As histórias circulam de boca em boca, mas nenhuma foi confirmada.
De personagem a incógnita
O contraste com o passado recente é evidente. Em reportagens de Copas anteriores, Galeano aparecia como símbolo da paixão argentina em Mato Grosso do Sul. Defendia a seleção, reunia brasileiros e compatriotas e ajudava a compor o clima multicultural típico do Mundial.
Hoje, o que resta são memórias e uma casa que já não carrega mais as cores da Argentina.
A reportagem tentou localizar registros atualizados, contatos telefônicos e possíveis vínculos profissionais, mas não encontrou informações que indiquem o paradeiro de Ramon Galeano. Não há registros públicos recentes em seu nome na Capital.
À medida que mais uma Copa se aproxima, a ausência chama atenção justamente por romper uma tradição. O personagem que ajudava a contar histórias de arquibancada fora dos estádios simplesmente deixou de existir no radar local.
No lugar das bandeiras, das reuniões e das entrevistas, ficou o silêncio — e uma pergunta ainda sem resposta: onde está Ramon Galeano?
Scaloni indica mudança entre titulares
A Argentina venceu por 3 a 0 a Argélia com autoridade na estreia da Copa do Mundo e Lionel Scaloni vai ganhar reforços para o próximo jogo, o duelo contra a Áustria nesta segunda-feira (22), às 13h (de MS) no AT&T Stadium, em Dallas (EUA).
O duelo vale a liderança do Grupo J, afinal os austríacos ganharam – 3 a 1 na Jordânia – e pode garantir a classificação antecipada ao mata-mata. Segundo o site ESPN, para este desafio no Texas Lionel Scaloni ganha alguns reforços.
Recuperado de lesão na coxa, Nahuel Molina deve assumir a lateral-direita na vaga de Montiel, conforme apuração da ESPN. No outro lado quem fica à disposição é Tagliafico, ausente contra argelinos por dores na panturrilha, mas a boa atuação de Facundo Medina fez a concorrência aumentar.
Outra novidade envolve o meio-campista Leandro Paredes, campeão mundial em 2022 e um dos líderes no vestiário. Fora dos gramados desde o final de maio, o atleta do Boca Juniors foi liberado do departamento médico após tratar lesão no músculo posterior da coxa.
Caso Scaloni queira alterar o esquema, Thiago Almada é o favorito para deixar o time, mas a tendência é que o ex-PSG comece no banco porque também está sem ritmo. Na zaga o treinador deve manter Cuti Romero e Lisandro Martínez para auxiliar na construção do jogo desde a saída de bola.
A provável escalação deve ter Emiliano Martínez; Nahuel Molina, Cristian Romero, Lisandro Martínez, Nicolás Tagliafico (Facundo Medina); Rodrigo De Paul, Enzo Fernández, Alexis Mac Allister, Thiago Almada; Lionel Messi e Lautaro Martínez.
A rodada desta chave se completa às 23h, em San Francisco, com Jordânia e Argélia, que buscam seus primeiros pontos. (com
Por Ricardo Prado, com site ESPN